Já pensou andar como a Sheila do Caverna do Dragão ou como o Harry Potter por aí sem ser visto, só usando uma capa da invisibilidade? Fantasia… imaginação? Eu acho que não!
Em artigo publicado na edição de hoje da revista “Science”, o físico John Pendry, do Imperial College de Londres, um dos autores do estudo, provou que, ao menos pelas leis da física, seria possível alterar os campos magnéticos de um material para tornar um objeto completamente invisível. Esse material agiria como um escudo e desviaria os raios de luz que viessem na direção do objeto. Assim, ele não refletiria a luz, tornando-se invisível.
“Os raios eletromagnéticos, como a luz, incidem sobre o objeto e são refletidos por ele nos olhos que o observam, produzindo uma imagem na retina. É por isso que conseguimos enxergar”, explica Claudio Furukawa, professor do Instituto de Física da USP.
No entanto, no caso do potencial material invisível, os raios não seriam desviados em qualquer direção: eles passariam exatamente em volta do objeto, para depois voltarem à sua trajetória original.
“O objeto não projeta nenhuma sombra e desaparece como se não estivesse lá. Tanto que é possível enxergar através dele”, afirma Pendry.
O problema de produzir uma capa como a do personagem de J. K. Rowling seguindo o princípio demonstrado Pendry e seus colegas é que seu usuário também não conseguiria ver nada –uma vez desviados, os raios de luz tampouco chegariam até os olhos do espião.
Outro detalhe nada desprezível é que a matéria-prima para o escudo, os chamados “metamateriais”, ainda não existem. “Teoricamente, eles possuem uma estrutura mais maleável e seria possível alterar seus índices de refração, ou seja, a maneira como os raios eletromagnéticos se “dobram” ao atingi-lo, desviando-os de sua trajetória”, explica Pendry.
Enquanto os metamateriais não vêm, os pesquisadores já conseguiram fazer uma “capa” com fios de cobre ou prata de 3 milímetros de comprimento, que desviaram a trajetória de ondas de radar numa simulação de computador.
Os pesquisadores já pensam em aplicações mais práticas de uma futura capa, como para envolver uma peça a ser instalada em uma máquina de ressonância magnética. O Pentágono, que financiou o estudo, também tem interesse nessas aplicações, como uma tecnologia para tornar aviões invisíveis.
Pendry conta que fez menção à capa da invisibilidade de Harry Potter por sugestão de sua mulher, que é fã do bruxinho. “É ótimo poder mostrar que a ciência às vezes também pode ser mágica.”